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E foi, mergulhando cada vez mais fundo, que vi os contornos indo embora.
Mergulhando fundo, num azul cada vez mais denso e escuro, fui me dissolvendo em gotas, fui me dissolvendo em moléculas, fui me juntando a todas as outras.
Mas estranhamente, ainda era eu, dissolvida(o) no éter líquido, que estava lá. Nadando, fluída(o), fazendo circunvoluções em torno de mim.
Eu podia olhar o todo e me olhar. Eu podia enxergar, da profundidade, a singularidade de cada um. Eu podia enxergar, da profundidade, como todos se fundiam, apesar de cada um ser o que era.
Mas eu sentia falta dos contornos. Eu sentia falta dos referenciais, eu sentia falta das paisagens conhecidas. Eu não sabia o que fazer, para onde ir, o que sentir.
Parâmetros, contextos, marcos, “landscapes”, “design”… sem montanhas ao longe, sem praias por perto, sem linhas d’água, sem bóias de sinalização…
Vida de verdade, não caixotes, boxes ou marcações forçadas.
Vida.
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